#JORNALISMODEBUTECO – O patriotismo

by junio

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Uma onda de patriotismo toma conta do país. Mulheres e homens, das mais variadas idades, andam por ai com suas camisas amarelas exibindo orgulho, e não tem nenhuma ligação com a copa do mundo na Rússia este ano.

Pouco vivi, mas nesse tempo percebi que o exagero faz mal. Seja na cerveja, na gordura trans, no açúcar ou no fanatismo.

O que se pode vê na última quarta feira (04), enquanto os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgavam o habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula, foi um país dividido.

Após a sentença final, negando o HC para o ex-presidente, e com a possibilidade de prisão do mesmo pelo Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4), que já havia condenado o réu há 12 anos e um mês de prisão, as ruas se dividiam em duas.

É importante dar créditos à capacidade ao nordestino, ex-metalúrgico e analfabeto, que ainda assim tornou-se presidente do Brasil, de polarizar um país inteiro. Desde o período de seu governo, querendo ou não, esse cenário começou a ser construído.

Em panos limpos, Luís Inácio Lula da Silva, conseguiu ser amado pela esquerda, e extremamente odiado pela direita brasileira, ao mesmo tempo, e com o passar dos anos esses sentimentos só foram criando mais forças, assim como o vício em uma droga.

Vivemos uma nova era, e naquela quarta nublada na Esplanada dos Ministérios enquanto observava a população protestar, sentia como se estivesse à caminho de um clássico de futebol, com duas torcidas vestindo suas cores e as defendendo, custe o que custar.

A divisão feita entre os manifestantes, obviamente planejada pelas forças de segurança, afim de evitar confrontos, só foi um reflexo da situação do país.

Aquele mar de gente vestida de amarelo me lembrou a vez que, ainda criança, presenciei a chegada da seleção brasileira no Congresso Nacional depois de ganhar a copa do mundo de 2002, mas dessa vez eu não sentia alegria, tão pouco esperança. Pelo contrário.

Parece existir dois lados, cada qual preocupado com seus próprios interesses, esquecendo-se dos princípios da democracia, conquistada apenas há alguns anos por nós brasileiros. A pluralidade e a liberdade de expressão, religião e posição política. Em uma democracia o principal ponto é o consenso, que parece ter sido perdido, ou provavelmente nunca existiu pela terra do futebol

O povo governa o seu país! Uma das utopias mais belas da democracia brasileira. E apesar de ao contrário de países que vivem situações piores que pelas terras tupiniquims, o cidadão pode eleger seus representantes, e assim tentar buscar em um consenso para o bem de toda população. Viva a democracia!

O patriota foi para a rua, vestiu sua camisa amarela, mas quem são eles? Pessoas preocupadas com o país inteiro?

Os excessos sempre são ruins, e posso falar isso com propriedade depois de tomar um litro de ypioca, cachaça típica do nordeste brasileiro, em uma noite divagando com meus pensamentos.

Seria utopia sonhar em um patriotismo onde todos pensassem no bem do país como um todo, o que não se vê agora nos dois polos que se instauraram no Brasil. A possível prisão do Lula, para os amarelos, parece significar o fim da corrupção, ao mesmo tempo que a condenação do ex-presidente significa uma perseguição pela parte dos vermelhos.

Mas o que preocupa não é a divisão social. O bem e o mal. O certo e o errado. E sim o avanço da polarização da sociedade brasileira, igualmente em meados de 1964. Declarações de militares reforçam essa ideia, e enquanto isso, grande parte da população, a menos desfavorecida, padece sob a falta de acesso à informação e senso critíco. E assim se molda o crescimento de um cenário que muitos lutaram e até morreram para destruir.

O patriotismo de 2018 não tem nada a ver com o desejo de melhoria da pátria amada Brasil. A cada dia parece mais um jogo de interesses. Quais e de quem? Saberemos em um futuro não tão longínquo.

A corrupção não acabará somente com uma prisão.

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